Menu do Armazém do Reino propõe gastronomia sensorial

Menu confiança é coisa para fortes. Não é qualquer um que se sente confortável em sentar à mesa de um restaurante lépido e fagueiro, à espera do desconhecido. Mas é preciso ter essa disposição para ter uma ideia do que seja a “gastronomia sensorial” proposta pelo chef Ramon Simões no Armazém do Reino.Dia desses, ele e sua companheira Gabriela me convidaram para uma experiência. Eu? Topei, claro. E cá estou pra descrever esse meu passeio pelos atalhos de uma cozinha que quer distância do convencional.

A única coisa que eles me avisaram foi que o menu teria pimenta e cominho, uma singela homenagem a este meu cantinho virtual. O resto, meus amigos, eu tive que adivinhar. Ou, pelo menos, tentar.

EntradaA entrada foi uma salada com uma combinação de verduras e frutas cruas e – ele garantiu – 12 tipos diferentes de pimenta, incluindo a malagueta. Confesso que fiquei assustada com a informação e hesitei a dar a primeira garfada. Porque eu sou do tipo que curte pimenta, mas como coadjuvante, pra adicionar sabor e aroma à comida. Se a danada pular pra frente de tudo e roubar a cena, pra mim, é o mesmo que matar um protagonista logo na primeira cena.

Mas, vamos lá. Além do sabor apimentado na medida, eu identifiquei goiaba, abobrinha e abóbora tipo jerimum. Dos temperos que ele catou na própria horta, na área externa do restaurante, penso que senti aroma e gosto de quioiô. Digo “penso” porque foi uma suspeita acionada pela memória afetiva, mas o chef não me disse que sim nem que não.

Sim, ele é desses. Você pergunta sobre a presença de determinado ingrediente, ele toma mais um gole do vinho, sorri, despista. E conta com a doce cumplicidade de Gabriela, que tem na ponta da língua a resposta definitiva: “Se você acha que tem, então tem”.

É que, pra eles, a experiência vai além do que o paladar pode captar e pode (deve) acionar todos os sentidos. É algo que eu já chamava de “sinergia” láaaa em 2009, quando entrevistei Ramon para uma matéria da extinta coluna Comes & Bebes, no jornal A Tarde.

Prato principal

Pois, então, voltemos ao menu. Depois do primeiro prato, que degustamos no pequeno salão do térreo, subimos para experimentar o prato principal no primeiro andar. O clima é ainda mais intimista, com música suave e pouca luz – detalhe que não ajuda na hora de fotografar os pratos, por isso sejam bonzinhos ao olhar as imagens.

Um prato quente, saboroso, parecia um abraço. Mas também foi o mais difícil de decifrar. Legumes em diferentes texturas, um molho suculento. Ele me dá uma colher de chá e revela que ali no meio tem coité, fruto em forma de cabaça cujo sabor e consistência estão entre o chuchu e a batata.

O chef também insinua que pode ter carne, ressaltando que sua cozinha se pretende orgânica, mas não necessariamente vegetariana. Eu folheei várias vezes o meu catálogo mental e, por fim, achei que a “carne” era jaca. Juro.

Sobremesa

A sobremesa foi obra de Gabriela. Mais familiarizada com os sabores, creio que passaram pela minha língua tapioca, manga e gengibre. A viagem pode acabar no café ou em música. Sim, aqueles instrumentos pendurados que você vê na foto não são mero enfeite. Além de comandar as panelas, o chef Ramon Simões também dá um caldo tocando violão.

Armazém do Reino: Rua Borges dos Reis, 46, Rio Vermelho. (71) 9605-9346

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